Brasil se sai melhor do que EUA na crise de preço das commodities

3/16/2016

Os Estados Unidos sofrem com mais intensidade as mudanças de cenários no mercado internacional de commodities do que o Brasil.

Um exemplo é o balanço entre exportações e importações norte-americanas nesse setor no mês de janeiro. O país obteve o menor saldo para o período desde 2006.

Tradicionalmente um mês bom de saldo, o resultado entre exportações e importações de janeiro deste ano foi um superávit de apenas US$ 590 milhões, segundo dados do Usda (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos).

Já no Brasil, mesmo com a forte desaceleração internacional de preços das commodities, o setor de agronegócio mantém o mesmo patamar do início de anos anteriores, conforme dados do Ministério da Agricultura.

Em janeiro, o saldo nacional foi um superávit do agronegócio de US$ 4,1 bilhões, próximo dos US$ 4,4 bilhões de janeiro de 2015.

A perda de participação dos norte-americanos ocorre devido a uma presença menor no mercado internacional em volume e a uma valorização do dólar, tornando o produto deles mais caro.

Já o Brasil caminha no sentido inverso. O país consegue recordes de exportações em volume em praticamente todos os principias itens que produz e que exporta. É o caso de soja, milho, café e até alguns tipos de carnes.

De outro lado, a queda do valor da moeda brasileira dá mais competitividade ao produto nacional, ao contrário do que ocorre nos Estados Unidos, devido à alta do dólar.

Os casos da soja e do milho são elucidativos. A tonelada da oleaginosa recuou de US$ 369,2, em janeiro do ano passado, para US$ 321,7 no primeiro mês deste ano em Chicago.

Os Estados Unidos perderam no preço e em volume. Este recuou para 31,9 milhões de toneladas de outubro a janeiro, 9% menos do que em igual período anterior.

Já o Brasil também perdeu em valores, devido à queda média dos preços, mas ganhou em volume.

As exportações brasileiras de soja subiram para 54 milhões de toneladas em 2015. Em 2012, eram apenas 33 milhões de toneladas. Neste ano, deverão subir para 55,3 milhões de toneladas, segundo a Abiove (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais).

As exportações brasileiras de milho, também com bom ritmo, atingiram o recorde de 28,9 milhões de toneladas no ano passado.

Os norte-americanos perderam presença, ainda, no mercado internacional de carne de frango, trigo, arroz, frutas e vegetais, além de milho e soja. Em todos esses itens, os EUA exportaram um volume menor de produto do que na safra anterior.

E o cenário para os norte-americanos não se apresenta favorável nesta safra. De outubro a janeiro, as exportações do agronegócio somaram US$ 46 bilhões, abaixo dos US$ 55 bilhões de igual período anterior. (Folha de São Paulo 16/03/2016

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