Oferta da Rumo tem forte procura de estrangeiro

4/15/2016

A Rumo Logística, fruto da fusão com a ALL, levantou R$ 2,6 bilhões por meio de uma oferta primária de ações com esforços restritos de colocação. Desse total, cerca de R$ 1,1 bilhão foi captado no mercado de capitais, sendo 65% a fatia dos investidores estrangeiros. A diferença veio dos sócios, que já tinham se comprometido com a operação, Cosan Logística colocou cerca de R$ 750 milhões, Júlia Dora Arduini, R$ 100 milhões, Eminence Capital, R$ 240 milhões, e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), pelo menos R$ 160 milhões.

Trata-se da primeira oferta de ações do ano que atraiu recursos no mercado. Outras duas operações de "follow-on" (de empresas já listadas) foram realizadas em 2016, mas ou para receber injeção de capital dos controladores ou para entrada de novo sócio específico. Em janeiro, a Brasil Pharma levantou, via oferta de ações, R$ 400 milhões com o seu sócio-controlador, o BTG Pactual. Em março, foi a vez do Banco Mercantil de Investimentos (BIM), controlado pelo Mercantil do Brasil, captar R$ 116,4 milhões. A Codemig, empresa controlada pelo governo de Minas Gerais, foi o único investidor externo, ao lado do Mercantil.

O sucesso da oferta de ações da Rumo, avalia Jean Pierre Dupui, vice-presidente de Global Corporate Banking (GCB) do Santander Brasil, líder da oferta, é uma sinalização de que há apetite do investidor estrangeiro por boas histórias. "Não dá para dizer que o mercado se abriu, mas a demanda seletiva existe", diz.

Mario Leão, diretor de Corporate Investment Banking do Santander, não descarta a possibilidade de novas operações de "follow-on" de empresas com balanços confortáveis e boas histórias de crescimento, consolidação ou investimentos, se houver uma melhora do cenário macroeconômico.

A capitalização da Rumo é parte de um plano que envolveu ainda uma renegociação de dívida com os seus principais bancos credores: Santander, Bradesco BBI, Itaú BBA, Banco do Brasil e HSBC. A empresa, que encerrou o ano com uma dívida bruta de R$ 8,6 bilhões, conseguiu o alongamento de cerca de R$ 3 bilhões para um prazo de sete anos, com três anos de carência. Outra frente do plano foi a negociação com o BNDES para apoiar a capitalização, além da abertura de novas linhas de financiamento.

A oferta envolveu a emissão de 1,04 bilhão de ações, a R$ 2,50, abaixo dos R$ 2,70, cotação de fechamento de 7 de abril, data em que foi fixado o preço da operação. Ontem, as ações subiram 17,8%, a R$ 3,90. (Valor Econômico 15/04/2016)

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