Possibilidade de La Niña em 2016 aumenta para 50%, afirmam agências de meteorologia

4/15/2016


O Centro de Previsão do Clima (CPC), uma agência do Serviço Nacional de Meteorologia dos Estados Unidos, divulgou nesta quinta-feira (14) que as chances de ocorrer o fenômeno climático La Niña, ainda no segundo semestre de 2016, estão cada vez maiores.

O departamento de meteorologia do governo australiano, Bureau of Meteorology (BOM), também confirmou ao site internacional Agrimoney que as possibilidades do fenômeno em 2016 aumentaram para 50%. Na segunda-feira (11) o serviço meteorológico oficial do Japão constatou que o evento, neste ano, torna-se a cada dia mais próximo de uma realidade.

Das últimas quinze ocorrências de El Niño, fenômeno que ocorreu em 2015 e está se enfraquecendo neste ano –, onze foram seguidos de La Niña, conforme relatam pesquisas de agências meteorológicas de todo o mundo.

"A previsão oficial é consistente com as previsões do modelo, também apoiada por uma tendência histórica de La Niña acompanhada de acontecimentos fortes de El Niño", disse o CPC no relatório.

Para o BOM, o La Niña eleva as chances de inundações generalizadas, secas e furacões em diversas regiões do planeta. O fenômeno, causado pelo resfriamento das águas do Pacífico, está associado à seca na América do Norte e tempo chuvoso no Sudeste Asiático, ao contrário do El Niño que causa tempo seco na Austrália e na Ásia, além de tempo de chuva nas Américas.

Os efeitos reais de um evento como o La Nina podem variar e, segundo os especialistas, são de difícil previsão. Ainda assim, fortes indicativos podem promover movimentos de alta nos preços da maioria das commodities agrícolas, já que o fenômeno representa um risco ascendente para o mercado.

Clima no Brasil

Ainda que não seja possível definir sua intensidade e, consequentemente, suas influências para o clima, o agrometeorologista Marco Antônio dos Santos, da Somar, afirma que o La Niña traz um regime de chuvas benéficos para as culturas de verão em grande parte do Brasil.

"Apesar de atrasar a chegada das chuvas na primavera, quando as precipitações chegam elas ocorrem de forma mais regular em todo o país, diferente do que foi observado na temporada 2015/16", destaca.

Segundo Santos, caso o fenômeno climático se confirme poderemos ter um inverno mais rigoroso no Brasil, "pois as massas de ar polar entram com mais facilidade no território brasileiro". Esse cenário é favorável ao desenvolvimento de geadas antecipadas e tardias.

Na transição entre o inverno e a primavera (setembro), os modelos climáticos indicam um período de pouca chuva nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e no Matopiba. O contrário deve acontecer no Sul, para onde são esperadas chuvas regulares.

"Esse cenário é uma boa tendência para as culturas de inverno como o trigo, que foi extremamente castigado por conta das chuvas que ocorreram nas duas últimas primaveras", explica Santos.

Na primavera com La Niña, poderá ocorrer um atraso na chegada das chuvas, principalmente do Brasil Central, mas de maneira oposta ao que ocorreu na safra 2015/16. Mesmo com o retardamento das precipitações, elas deverão retornar em outubro com maior regularidade, sendo benéfico para o desenvolvimento das lavouras de verão.

Para o Sul, o período do verão dependerá da intensidade que o fenômeno climático alcançará. Segundo Santos, quanto mais forte o La Niña, menos chuvas chegarão aos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, podendo incluir também o sul do Mato Grosso do Sul.

Estados Unidos

A possibilidade de La Niña, no entanto, não é positiva para o desenvolvimento das lavouras dos Estados Unidos. No meio-oeste há a possibilidade de períodos prolongados de estiagem durante o verão.

"Uma mudança para La Niña teria potencial de trazer um clima mais quente e mais seco à região central norte-americana, principalmente no cinturão do milho ocidental", disse o Serviço de Meteorologia dos EUA, na semana passada. (Notícias Agrícolas 14/04/2016)

Please reload