Boas práticas ambientais estão em 26,3% da área de cana de São Paulo, dizem secretarias

5/2/2016

Colheita mecanizada é feita em mais de 91% das lavouras e consumo de água caiu 33% entre 2010 e 2015, informa relatório.

Pelo menos 26,3% da área de lavouras de cana-de-açúcar no estado de São Paulo estão adequados às boas práticas ambientais. A proporção corresponde a 5.405.772 hectares. A informação está no relatório referente à safra 2015/2016 do Protocolo Agroambiental do Setor Sucroenergético, apresentado nesta quinta-feira (28/4) durante a Agrishow, em Ribeirão Preto (SP), pelas Secretarias Estaduais de Agricultura e de Meio Ambiente.

"O Protocolo é um conjunto de ações do governo e dos setores produtivos, destacadas as usinas e fornecedores de cana. Não é uma lei que obriga, por isso destaco a adesão dos produtores rurais", afirmou Arnaldo Jardim, secretário de Agricultura, considerando o resultado expressivo.

Ao todo, 133 unidades agroindustriais e 24 associações de fornecedores independentes de cana (que somam 5485 produtores) já obtiveram o Certificado Etanol Verde, que atesta o cumprimento das regras do protocolo. De acordo com o governo paulista, as usinas que assinaram o protocolo respondem por 92% da produção de etanol do Estado e 44% do volume de combustível no país.

Entre os principais resultados destacados pelas autoridades paulistas, o consumo de água no processamento da cana caiu 33% entre 2010 e 2015. Na safra 2015/2016, chegou a um metro cúbico (1000 litros) por tonelada moída. Na década de 90, esse volume era de 5 metros cúbicos.

Foi estimada também uma redução de 89% na emissão de gases de efeito estufa pelo setor desde a safra 2006/2007. A variação corresponde a 8,65 milhões de toneladas que deixaram de ir para a atmosfera, de acordo com o documento. 

 

Queimadas

Uma das principais medidas previstas no Protocolo Agroambiental é a substituição do uso da queimada na colheita da cana pelo trabalho mecanizado. Na safra 2015/2016, a proporção chegou a 91,3% sem o uso do fogo, o equivalente a 3,46 milhões de hectares. A safra 2016/2017, iniciada em primeiro de abril, é a última em que a queima poderá ser utilizada.

A secretária de Meio Ambiente do Estado de São Paulo, Patricia Iglecias, disse que serão adotadas medidas para coibir crimes ambientais e punir responsáveis. Ela disse que não há prazo para as ações e avaliou que o trabalho evitará que produtores de cana sejam indevidamente punidos.

"Vamos trabalhar com a polícia ambiental para atuar nesses casos. A infração ambiental tem características de como isso se deu. Estamos procurando estabelecer critérios para determinar características dos crimes de queimadas para deixar de multar produtores de forma indevida", disse.

Em relação às queimadas espontâneas, sujeitas a ocorrer em períodos de estiagem, Patrícia Iglecias informou que será antecipada neste ano a operação Corta Fogo, por causa de previsões que indicam período seco no Estado.

"A expectativa é de estiagem forte esse ano. Em São Paulo nem sempre é tão simples fazer previsões. Por isso antecipamos o anúncio do programa Corta Fogo. Queremos acompanhar de perto porque a incidência de queimada foi maior ano passado pelas condições climáticas", disse Patrícia. (Globo Rural)

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