Área de cana gera 34 mil postos de trabalho no país

8/4/2016

 

O início da recuperação do setor sucroalcooleiro expressou-se no primeiro trimestre da safra atual (2016/17), entre abril e junho, na forte geração de empregos formais no período. Em todo o país, o segmento abriu 34 mil postos de trabalho, quatro vezes mais que a quantidade de vagas criadas no mesmo período do ano passado, conforme levantamento da União das Indústrias de Cana-de-Açúcar (Unica) com base nos dados do Caged. No mesmo período do ciclo passado, o setor havia criado apenas 8 mil vagas de trabalho.

A entidade calcula que existam hoje cerca de 1 milhão de trabalhadores empregados com carteira assinada no setor. Com essa expansão, essa indústria reduz as perdas de vagas dos últimos dois anos, quando a quantidade de trabalhadores formais ficou em cerca de 900 mil. No auge, o setor chegou a empregar quase 1,3 milhão de pessoas em 2008.

A antecipação da safra na região Centro-Sul, onde a moagem de cana da safra 2016/17 avança, também foi um fator importante para a geração de vagas. Foram criados 32 mil postos de trabalho nos três primeiros meses da temporada, sendo que São Paulo foi responsável pela geração de 13 mil empregos formais, e Goiás, 8 mil. O volume de cana moído até agora na região já supera em ao menos 40% o esperado até a primeira metade de julho.

As aberturas de vagas também ocorrem apesar do avanço da mecanização da colheita, que alcançou 97% da área no Centro-Sul. Inicialmente, a mecanização da tarefa, consequência da obrigatoriedade do fim da queima da palha, reduziu a quantidade de pessoas empregadas formalmente.

Um dos efeitos dessa transição tecnológica foi o aumento da produtividade do trabalho. No ano passado, para cada tonelada de cana que era processada havia 1,35 trabalhador empregado formalmente no setor. No ano anterior, essa relação estava um pouco maior, de 1,47 trabalhador por tonelada de cana, mas no início do processo de mecanização, em 2006, havia praticamente o dobro de trabalhadores empregados formalmente para cada tonelada de cana moída, ou 2,6.

Segundo Antonio de Pádua Rodrigues, diretor técnico da Unica, esse aumento de produtividade também foi resultado de mudanças tecnológicas que ocorreram dentro das indústrias. "O setor foi perdendo mão de obra não qualificada, mas ganhou mão de obra qualificada", afirmou.

Já no Norte e no Nordeste, onde a queima da palha da cana é permitida, a mecanização Já no Norte e no Nordeste, onde a queima da palha da cana é permitida, a mecanização não avançou. Nessas regiões, a quantidade de pessoas empregadas por tonelada de cana processada tem se mantido estável. Em 2015, havia 5,92 trabalhadores formais para cada tonelada de cana moída, relação que não tem oscilado de forma significativa nos últimos 20 anos.

O crescimento da qualificação média dos trabalhadores do setor da cana também se refletiu no aumento do salário médio em termos reais. Em 2014 ­ última ano com dados disponíveis do Ministério do Trabalho e Emprego ­, o salário médio nominal no segmento era de R$ 1.807. Em um ano, houve valorização real (descontada a inflação do período) de 2,96%. Desde 2006, quando o processo de mecanização começou a ganhar força, o salário médio dos trabalhadores da cana registrou uma valorização de 109,1% em termos reais. (Valor Econômico 04/08/2016)

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