Apelidada de câncer da cana, podridão vermelha começa a assustar produtores canavieiros 14/09/2016

9/14/2016

 

Relatos já indicam que a doença estaria se alastrando pelos canaviais da região Centro-Sul do país
A Podridão Vermelha da cana-de-açúcar, causada pelo fungo Colletotrichum falcatum, já está presente e distribuída no Brasil há muito tempo. Porém, sempre foi considerada uma doença de importância secundária, com seus maiores prejuízos ocorrendo em associação com outros fatores estressantes, sejam bióticos ou abióticos. A associação mais comum é com a Broca-da-cana (Diatraea saccharalis), formando o complexo broca - podridão.

Entretanto, nos últimos meses, têm sido comuns relatos de produtores de diversas regiões do Centro-Sul que teriam encontrado seus canaviais tomados por essa doença. As causas, segundo a pesquisadora do Instituto Agronômico (IAC), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Silvana Aparecida Creste Dias Souza, seriam a consolidação da colheita e plantio mecanizado, além da permanência de grandes quantidades de restos culturais na lavoura. “Este novo cenário impulsionou a ocorrência desse patógeno em diversas regiões canavieiras do Centro-Sul.”
E o produtor deve ficar atento aos sintomas dessa doença, que incluem secamento dos colmos e falhas no canavial, já que os prejuízos decorrentes de uma infestação podem ser devastadores. “Essa doença provoca degradação da matéria-prima, com redução da produtividade, já que o fungo tem um grande impacto na sacarose, uma vez que causa sua inversão na indústria.”
Na Índia, inclusive, a Podridão Vermelha é a doença de maior importância econômica, podendo afetar até 64% das variedades. Por lá, ela tem sido chamada de “câncer da cana”. Porém, no Brasil a situação não deve ficar tão extrema, já que as condições de cultivo e de clima naquele país são diferentes às daqui. Como se sabe, tais condições exercem influência direta na manifestação de doenças de plantas. Além da Índia, a Podridão Vermelha também tem sido considerada devastadora em países como Austrália, Bangladesh e Paquistão.
Com relação ao controle, a pesquisadora do IAC afirma que os químicos podem ser uma alternativa viável. Entretanto, não há informações sobre a viabilidade técnica do controle do patógeno mediante a aplicação de fungicidas, fato esse que contribui à baixa disponibilidade ou até mesmo inexistência de fungicidas registrados para o controle dessa doença. “Por outro lado, a inexistência de informação sobre resistência varietal limita a definição de estratégias de controle.”



Fonte: CanaOnline

Please reload