Commodities Agrícolas

11/15/2016

 

Café:

Aversão a risco: A persistência da aversão a riscos no mercado financeiro após a eleição de Donald Trump à presidência dos EUA levou o dólar a esboçar a maior série de valorizações desde a crise financeira de 2008 na sexta-feira, o que pressionou os contratos futuros do café. Os papéis com vencimento em março fecharam a US$ 1,631 a libra­peso, recuo de 255 pontos. O café também tem sido alvo de forte especulação devido às incertezas em relação à safra 2017/18 no Brasil, o que gera instabilidade no mercado. Segundo Jack Scoville, vice­presidente da Price Futures Group, a desvalorização do real tem reduzido o posicionamento dos fundos em todas as commodities para as quais as apostas eram de alta. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o grão ficou em R$ 563,29 a saca, alta de 0,12%.

 

Suco de laranja:

Pressão cambial: A forte valorização do dólar em relação ao real também pressionou os contratos do suco de laranja na bolsa de Nova York na sexta-feira. Os papéis com vencimento em março fecharam a US$ 2,0915 a libra-peso, recuo de 400 pontos. O Brasil é o maior produtor mundial de laranja, e o dólar forte tende a incentivar as exportações, pressionando o mercado apesar dos fundamentos de alta. O país deve ter produção 14% menor que a da temporada anterior na safra 2016/17, segundo o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA). Nos EUA, o órgão estima uma safra 10% menor no atual ciclo devido ao clima seco e ao greening. No mercado interno, o preço médio da caixa de 40,8 quilos de laranja destinada à indústria ficou em R$ 25,08, alta de 0,32%, segundo o Cepea.

 

Algodão:

Contaminação: O sentimento de aversão a risco e a valorização do dólar também contaminaram as negociações no mercado de algodão na sexta-feira. Os contratos com vencimento em março fecharam a 69,03 centavos de dólar a libra-peso na bolsa de Nova York, recuo de 80 pontos. Os dados de oferta e demanda mundial do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) deram pressão adicional às cotações. De acordo com o órgão, os EUA, maior exportador mundial de algodão, devem encerrar a safra 2016/17 com estoques finais de 6,77 milhões de toneladas, acima do apontado em outubro e 17,21% acima do estimado no ciclo anterior. No mercado interno, o preço médio pago ao produtor na Bahia ficou em R$ 84,56 a arroba, segundo a associação de produtores local, a Aiba.

 

Soja:

Safra promissora: O otimismo do mercado com a produção de soja na safra 2016/17 nos EUA e na América do Sul pressionou os contratos do grão na bolsa de Chicago na última sexta­feira. Os papéis com vencimento em janeiro fecharam a US$ 9,86 o bushel, queda de 12 centavos de dólar. De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o Brasil deve colher entre 101,6 milhões e 103,5 milhões de toneladas na atual temporada. Apesar de representar uma redução em relação à estimativa anterior, se confirmado, o volume ainda será recorde e significará um crescimento de 6,5% a 8,5% em relação ao colhido na temporada 2015/16. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa para a soja em Paranaguá ficou em R$ 78,93 a saca de 60 quilos, alta de 1,14%. (Valor Econômico 14/11/2016)

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