Obama defende uso de energias limpas em cúpula na Argentina

10/9/2017

 

Obama disse a audiência que eles faziam parte de uma geração com os meios científicos e a imaginação necessários para começar a reparar o planeta

O ex-presidente americano Barack Obama fez, nesta sexta-feira, um apelo em favor da adoção das energias limpas e de superar as mudanças climáticas, em uma conferência sobre meio ambiente na Argentina.

Obama disse a uma audiência de ministros do governo, líderes empresariais e ativistas ambientais que eles faziam parte de uma geração com os meios científicos e a imaginação necessários para começar a reparar o planeta.

"Isto já não é especulação, já não é uma questão que podemos adiar, isto está firmemente no presente", afirmou.

"Se aproveitarmos este momento crítico, teremos a oportunidade de desacelerar e inclusive frear uma tendência que poderia ser desastrosa", disse Obama, que assinou o acordo climático de Paris que o presidente Donald Trump decidiu abandonar.

Obama disse que apesar da retirada dos Estados Unidos do acordo de Paris, "a boa notícia" é que o país alcançará seus objetivos.

"Porque muito do que fizemos está agora incrustado em nossa economia e em nossa cultura. Porque nossos estados e cidades, nossas universidades e nossas maiores empresas deixaram claro que continuarão avançando pelo bem das gerações futuras", argumentou.

O ex-presidente opinou, porém, que o acordo de Paris não resolverá por si só a crise climática, e que à medida que a tecnologia evolui, será necessário estabelecer objetivos mais audazes.

Na Cúpula Economia Verde, que acontece durante dois dias na cidade argentina de Córdoba, vários especialistas, incluindo o prêmio Nobel de Economia Edmund Phelps, insistiram em que a luta global pelas energias limpas reside nas empresas e nas pessoas comuns, já que os governos estão atrasados.

Obama disse que os líderes empresariais tinham que lembrar que não havia nenhuma contradição entre um ambiente limpo e um forte crescimento econômico.

Mas Phelps também advertiu que as mudanças climáticas geram uma "histeria maciça" e levam a uma hiper-regulamentação que poderia se transformar em um "destruidor da inovação".

Biocombustíveis

No dia anterior à conferência na Argentina, Barack Obama participou do Fórum Cidadão Global, organizado pelo jornal Valor Econômico e pelo Banco Santander/AAdvantage, em São Paulo (SP). Na ocasião, ele elogiou o protagonismo do Brasil na fabricação e utilização de biocombustíveis.

"O que me dá esperança é que os Estados Unidos conseguiram aumentar muito o uso de suas energias renováveis. E o Brasil, também de várias formas, vem trabalhando em biocombustíveis e tem sido um exemplo para o mundo. Isso é algo que devemos nos orgulhar e também continuar", disse.

Para a presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Elizabeth Farina, o Brasil é um "importante agente" na agenda ambiental global. "O Brasil tem sido um dos mais importantes protagonistas nas discussões em torno da Plataforma Biofuturo, lançado na COP22 com o apoio de mais de 20 países, incluindo os Estados Unidos, para acelerar o desenvolvimento e ampliar a implantação de medidas sustentáveis de baixa emissão", afirma e completa: "Temos uma vantagem competitiva importante, considerando que nossa matriz energética é uma das mais renováveis do mundo". (Agence France-Presse 09/10/2017)

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